O início da compulsão alimentar (histórias de infância)

Desde pequena, eu já apresentava distúrbios alimentares, pelo menos que eu me lembro, tinha aproximadamente uns quatro aninhos quando tudo teve início.

Eu comia, comia, comia e comia, daí passava mal e vomitava. Isso acontecia principalmente em festas. 

Infelizmente meus pais não tinham como notar minha situação porque minha mãe já estava com a saúde muito debilitada. Infelizmente, aos seis anos, perdi minha mãe, ela sofreu muito, tivemos pouco convívio, as lembranças que tenho dela, são tristes, relacionadas a algumas doenças e também a hospitais.

Deixa eu abrir um parênteses e fazer uma observação: meus pais eram idosos, eles me adotaram com dois dias, saindo direto da maternidade.

Voltando ao assunto, naquela época eu me lembro bem que criança saudável devia ser forte, então eu era como um peru de Natal que deveria ser engordado. 

Minhas principais lembranças de carinho paterno são relacionadas à comida, gemada, Cremogema, O Pão do Pai, pão de queijo, carolina, salgadinho industrializado, Biotônico Fontoura, sorvete Moça de palito, pipoca, chocolate Surpresa com o álbum dos dinossauros, barras de Galak... ah! Se eu for contar tudo, ficarei aqui falando cores, sabores, cheiros e sensações. A relação de amor e carinho com meu pai que era um homem um tanto quanto fechado era baseada na comida. 

Apesar de comer bem e de estar acima do peso, meu pai me dava o famoso "Biotônico" todos os dias.

Eu me lembro bem da saída do colégio, quando ele me buscava, sempre passava em algum lugar para comprar alguma guloseima, uma vez era pipoca, outra era sorvete, depois era pão de queijo, carolina e por aí vai uma longa lista.

Bem, vamos às principais sensações, das quais eu mais gostava e que jamais terei esse prazer novamente, pois meu pai já não está mais presente e não tenho como fazer, por mais simples que sejam, pois ele tinha um jeito único:

- o Bendito Pão do Pai: quase todas as manhãs, quando eu acordava, tinha aquela sensação maravilhosa, principalmente quando aquele cheiro maravilhoso de pão torrando adentrava pelas minhas narinas! Ah, eram pedacinhos do paraíso que derretiam no céu da boca! Até hoje eu não sei como o meu pai fazia aquele pão, mas de uma coisa eu tenho certeza, era muito amor e carinho. Bem, para vocês entenderem, não era um simples pão na chapa. Ele pegava o pão francês, tirava a casca, de uma maneira tal, que deixava o miolo por inteiro, firme, então passava suavemente, uma camada de margarina, espetava um garfo no centro do miolo e ficava passando pela boca do fogão. Maravilhoso!

- a Santa Gemada: geralmente meu pai a fazia, quando viajávamos para a praia, aos finais de semana. Hum, era tão boa, docinha, ele sempre a trazia dentro de uma caneca e falava: "toma inteirinha, para ficar forte", mas ele nem precisava falar muito. eu tomava com o maior prazer! A gemada vinha quentinha, parece que ele misturava leite com a gema e açúcar, algo assim!

Cresci aprendendo a utilizar a comida como válvula de escape. Estou tentando encontrar uma explicação para isso e acredito que tudo tenha se iniciado em minha infância. Farei outras postagens falando sobre esse assunto para que outras pessoas que possuem a mesma dificuldade do que eu, possam encontrar auxílio e esclarecimento! 

Bem, por hoje é só! Até a próxima postagem!

Beijos!

*Para entender a história completa, leia todas as postagens em:

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Eu e meu pai:

Eu e minha mãe: 

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